Bipolar

por Mariposa Technicolor



Hoje descobri que tenho uma sósia. Não em aparência física, mas nas características interiores… quero dizer que sofremos das mesmas coisas, talvez numa mesma intensidade. São coisas que para os outros são pequenas, mas para nós… são o fim do mundo. E ninguém nos entende, acabam achando que fazemos tempestade em copo d’água. Talvez seja, afinal o motivo que nos leva à loucura não representa nada para ninguém, na maioria das vezes, mas fazer o que se sentimos tudo ao extremo? 

O que pode não afetar a maioria das pessoas é um mundo vindo abaixo para nós. Tristeza em dobro, estress em dobro, lágrimas em dobro e ultimamente as alegrias não tem sido dobradas, mas subtraídas… pelo menos comigo. Já ouviu aquela expressão “ou 8 ou 80”? É isso. Bem isso. Ou tudo ou nada. Up or down. Às vezes muda em minutos, às vezes em semanas… tudo é motivo para desencadear atitudes extremas.

E o que fazer? Nada… esperar passar e se entupir de coisas que supostamente vão nos acalmar. Não dando certo com um a gente tenta outro… e assim vamos até o estômago não aguentar mais. Até quando? Chega uma hora que parece que não vamos mais aguentar e vamos acabar explodindo. A cabeça ferve de coisas e o coração sangra.

O que os outros pensam sobre nós? Que somos loucas provavelmente… que gostamos de fazer cena, nos vitimizar. O que não entendem é que nem mesmo nós somos capazes de entender porque nos sentimos assim… por isso sofremos… por sermos extremistas demais. Tem vezes que tudo que queremos é ficar quietinhas em casa sem barulho, no mais absoluto silêncio… tentando ouvir a nós mesmas, tentando entender a nós mesmas. Porém quando vem o inevitável, você tem que sair de casa, encontrar com pessoas que invitavelmente vão te perguntar: -Como você está? E você com uma vontade louca de dizer que quer sumir, morrer, desaparecer, virar poeira (poeira não pq sou alérgica!) tem apenas que sorrir e dizer: -Tudo bem. E o coração ali… sangrando, com um grito engasgado, arranhando a garganta. 

Nada nos resta a não ser esperar. Esperar que a dor um dia passe, que as coisas voltem a ser como antes e que um dia as pessoas consigam compreender e aceitar que não somos personagens interpretando, mas somos reais como a dor que sentimos, que não fere só a alma, mas muitas vezes o corpo. “Marcadas por dentro e por fora” como já disse numa conversa com minha amiga. Acho que o que dói mais é a de dentro… porque a de fora passa, e a de dentro… só Deus sabe se um dia vai passar. As feridas da carne cicatrizam facilmente. Difícil são as cicatrizes da alma… 



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