Notas sobre a vida

Pequenas notas sobre uma vida simples

Categoria: Blog

Ele disse

Ela quase havia dito. Não dissera. Amor era uma palavra que ela não gostaria de pronunciar embora sentisse que estava prestes a dizer. Sentia que a cada dia aquilo crescia dentro de si de modo que não conseguia mais segurar.

Uma noite estavam assistindo filme abraçados e ele disse. Quando ela menos esperava ele disse: “Amor(…)”. Ela fingiu não ter ouvido, mas não conseguia disfarçar aquele sorriso bobo. Parecia estar novamente com 16 anos. E estava. Seu coração era novinho em folha e os sentimentos pareciam cada vez mais novidade.

Ela sentia que finalmente estava conseguindo penetrar naquele outro coração. Na verdade ela já estava mais lá dentro do que imaginava, mas ele era muito resistente. Custava a se entregar, com medo de sofrer. Mas agora ela o sentia mais próximo. Mesmo antes dele ter dito.

Tão bom dormir sendo abraçada e acordar com beijos, pensava. Estava apaixonada. E tonta de felicidade.

 

4 letras

Ela quase disse. Meu Deus, ela quase havia dito aquela palavra impronunciável. Aquela que por tantas vezes havia jurado que nunca mais diria a alguém. Quatro letras começando pela letra A.

E ela pensava: como não sentir vontade de dizer essa palavra quando se está sentindo aquele calorzinho no coração, com ele repleto de coisas boas. Transbordante de alegria que mal cabe no peito?

A qualquer momento a palavra lhe saltaria da boca num instante! Nem daria tempo de segurar. Ela sabe que vai sorrir. Ele vai olhar surpreso. Surpreso e feliz. Talvez diga o mesmo, talvez não… o que importa é sentir reciprocidade, mesmo que em intensidade diferente, disso ela tem certeza.

Quatro letras começando pela letra A… Coração com coração.   O momento tinha sido mágico mesmo sem nada ter sido dito.

Melhor assim, pensou.

A liberdade da sinceridade

“Tem horas que cansa sair saltitando em sapatilhas de ponta pela vida só para não ferir os sentimentos alheios.”

Leia o texto todo em About dreams and broken glass.

Algum dia…

Algum dia você tem que tomar uma decisão.
Erguer muros não mantém as pessoas do lado de fora.
Eles cercam você.
A vida é uma bagunça.
É desse jeito que nós somos feitos.
Para que possa passar a sua vida
desenhando linhas ou possa viver cruzando elas.
Mas tem algumas linhas que são muito perigosas para cruzar.
O que eu sei é que se tiver a chance de ver
as coisas do outro ângulo…
… a vista do outro lado…
… é espetacular!

 

Grey’s Anatomy

Que seja doce

Já já bate a porta o ano novo.

Está quase na hora. E o que dizer do ano velho?

Foi bom, foi ruim, assim assim…

Vivemos coisas boas, coisas alegres que nos fizeram desfrutar de momentos incríveis junto de pessoas que amamos.

Vivemos coisas nem tão boas, mas que com certeza teve seu lado positivo também, afinal ninguém sai sem levar nada das vivências…

Assim assim…

Posso dizer com certeza de que meu ano foi bom sim. Vivi muita coisa ruim e desagradável, mas as alegrias que tive acredito que superam os maus momentos. (E mesmo que não fosse assim, prefiro acreditar que foi, prefiro levar uma lembrança otimista do ano que se finda)

Tão bom olhar pra trás e pensar “poxa, mesmo com tudo de ruim, ainda foi tão bom…”

O melhor que fica de 2010 pra mim com toda certeza são as pessoas especiais que conheci. Pessoalmente, virtualmente. Gente que me tocou de alguma forma, em algum momento, ou o tempo todo… Gente que esteve comigo nas horas em que mais precisei de alguém.

Obrigada. Obrigada a todas as pessoas que conheci, em especial as da “virtual life” que em nenhum momento foram menos importantes que as da real life.

Que estejam todos comigo no ano novo. Queria citar o nome de todos, mas com certeza estarei deixando alguém de fora então prefiro evitar. Mas todo mundo sabe o lugar que ocupa em meu coração.

E independente do número de recados trocados, de menções ou visitas virtuais, saibam que todos tiveram sua importância na minha vida em 2010.

Um beijo grande e conto com todos em 2011.

Feliz ano novo. E que seja doce.

 

Pensamentos Aleatórios

Mais uma vez aquela dor lancinante. Aquela sensação de falta de ar, aquela velha sensação de falata de chão sob os pés. Como Alice, parece que estou caindo num buraco sem fim rumo a um mundo estranho e nada maravilhoso.

Outra vez aquele nó na garganta, aquele nó apertado bem no meio do sossego. Ah se pelo menos pudesse gritar bem alto, até ficar sem voz…

O mundo parece estar girando ao contrário. Nada faz sentido, que nada está no seu lugar. E realmente não está. Tudo tão estranho. Todas as horas são marcadas por longos minutos olhando para nada, pensando em tudo e não chegando a conclusão alguma.

Tudo está escuro. Não sinto vontade de sorrir, não quero conversar, não quero sair pra rua. Não quero ver ninguém. Tudo que desejo é ficar só. Preciso ser respeitada nisso. Preciso ter meu espaço. Não quero que tentem me animar, preciso apenas sentir esse momento, chorar o que há para chorar, lembrar o que foi bom, passar a limpo alguns momentos.

Rever conceitos, enfim…

 

Nunca tive medo de me mostrar

“Eu sou ariano…
E ariano não pede licença, entra, arromba a porta!
Eu nunca tive medo de me mostrar…
Você pode ficar escondido em casa protegido pelas paredes mas você ‘tá vivo e essa vida é para se mostrar!
Esse é o meu espectáculo, só quem se mostra se encontra…
Por mais que se perca no caminho!”

Faça

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Tem dias que tudo que a gente deseja na vida é ter um lugar pra descansar a cabeça. Ficar longe de tudo e de todos apenas tentando ouvir os próprios pensamentos. Um tempo só seu, sem  ninguém perto, sem nada que possa desviar a atenção um só minuto. Você quer ficar sozinho com seus sentimentos, sozinho com sua dor, suas lágrimas, seus pesares e apesares. Você precisa tirar de foco o olhar.

Ouvir uma música bem dolorosa, de preferência uma que te faça lembrar dos momentos que viveu com alguém que já não está mais ao seu lado. Ou que te faça pensar nos momentos que você gostaria de ter vivido ou estar vivendo com alguém .Ou apenas uma que te faça sentir confortável na própria pele. Uma que te acalme, que te faça exteriorizar todas as lágrimas contidas durante muito tempo.

A vontade que dá é de sentar no meio fio da calçada e debulhar em lágrimas, sem se importar com transeuntes curiosos e eventuais ofertas de ajuda. A vontade é de sair correndo sem direção e nem hora pra voltar. Pegar o primeiro ônibus sem nem perguntar par onde vai. Simplesmente ir. Sair, correr, andar, voar, flutuar, chorar. Chorar até esvaziar. Chorar até tirar os duzentos quilos da alma. Até começar sentir novamente a leveza que vem depois de esvaziar o coração.

Quando bate esse sentimento, não tem nada melhor, nada que funcione mais do que simplesmente sentar e chorar. Talvez se você aliar a isso uma barra das grandes de chocolate meio amargo você consiga se sentir melhor. Ou não, talvez você sinta que engordou dois quilos quando acabar. E aí pode ser que você se sinta pior ainda. Mas no momento não. No momento vai ajudar que é uma beleza. Então, haja o que houver, sinta como você se sentir, faça o que precisa ser feito, seja chorar, caminhar sem rumo, devorar uma barra inteira de chocolate. Apenas faça o que seu coração está pedindo, apenas deixe-se levar pelo que sua alma deseja. Depois é depois, você resolve outra hora.

Silada

Que coisa… Mais uma vez você sabe que está entrando na maior furada da sua vida e quanto mais se dá conta disso, mais e mais o perigo te atrai. Você sempre acha que pode parar quando quiser, que não vai se apaixonar, que tem tudo sob controle. Você quer acreditar nisso, você precisa acreditar nisso. E por um certo tempo você até acredita mesmo, mas de repente você percebe que não é nada disso. Que você está completamente entregue e que vai sofrer, se ferir e chorar até seus olhos incharem.

E quando você se dá conta, já não tem nada mais a fazer a não ser, viver aquilo, torcendo para que dure para sempre, até que a primeira briga os separe. Nossa, que visão mais pessimista não é mesmo? É… talvez seja mesmo, mas acontece que depois de tantas vezes passando por isso, a gente passa a temer mais, porém não a ponto de evitar, de manter-se longe, de afastar-se enquanto há tempo. E sofre tudo de novo. E jura que será a última vez, que nunca mais vai se apaixonar assim, que agora aprendeu a lição. Que isso, que aquilo…

Qual nada! Você continuará igualzinha, sem tirar nem por. A mesma ingenuidade, a mesma crença de que não é ingênua, de que superou e blá, blá, blá…

E o que é que se pode fazer? Como já disse o poeta,”quando chega a paixão, justamente a razão é a primeira a ceder.” O negócio é esse aí mesmo… Cair e levantar. Apaixonar e desapaixonar, sorrir e chorar. É a tênue linha entre amor e ódio. Duas caras da mesma moeda. O negócio é viver, e viver por inteiro, porque o tempo passa e não volta. E é melhor arrepender-se de ter vivido do que não ter tido coragem para se arriscar. Isso sim é que dói.

Você tem um cigarro?

“-Você tem um cigarro?

-Estou tentando parar de fumar.

-Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.

-Você tem uma coisa nas mãos agora.

-Eu?

-Eu.”

(Caio F.)