Notas sobre a vida

Pequenas notas sobre uma vida simples

Faça

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Tem dias que tudo que a gente deseja na vida é ter um lugar pra descansar a cabeça. Ficar longe de tudo e de todos apenas tentando ouvir os próprios pensamentos. Um tempo só seu, sem  ninguém perto, sem nada que possa desviar a atenção um só minuto. Você quer ficar sozinho com seus sentimentos, sozinho com sua dor, suas lágrimas, seus pesares e apesares. Você precisa tirar de foco o olhar.

Ouvir uma música bem dolorosa, de preferência uma que te faça lembrar dos momentos que viveu com alguém que já não está mais ao seu lado. Ou que te faça pensar nos momentos que você gostaria de ter vivido ou estar vivendo com alguém .Ou apenas uma que te faça sentir confortável na própria pele. Uma que te acalme, que te faça exteriorizar todas as lágrimas contidas durante muito tempo.

A vontade que dá é de sentar no meio fio da calçada e debulhar em lágrimas, sem se importar com transeuntes curiosos e eventuais ofertas de ajuda. A vontade é de sair correndo sem direção e nem hora pra voltar. Pegar o primeiro ônibus sem nem perguntar par onde vai. Simplesmente ir. Sair, correr, andar, voar, flutuar, chorar. Chorar até esvaziar. Chorar até tirar os duzentos quilos da alma. Até começar sentir novamente a leveza que vem depois de esvaziar o coração.

Quando bate esse sentimento, não tem nada melhor, nada que funcione mais do que simplesmente sentar e chorar. Talvez se você aliar a isso uma barra das grandes de chocolate meio amargo você consiga se sentir melhor. Ou não, talvez você sinta que engordou dois quilos quando acabar. E aí pode ser que você se sinta pior ainda. Mas no momento não. No momento vai ajudar que é uma beleza. Então, haja o que houver, sinta como você se sentir, faça o que precisa ser feito, seja chorar, caminhar sem rumo, devorar uma barra inteira de chocolate. Apenas faça o que seu coração está pedindo, apenas deixe-se levar pelo que sua alma deseja. Depois é depois, você resolve outra hora.

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Silada

Que coisa… Mais uma vez você sabe que está entrando na maior furada da sua vida e quanto mais se dá conta disso, mais e mais o perigo te atrai. Você sempre acha que pode parar quando quiser, que não vai se apaixonar, que tem tudo sob controle. Você quer acreditar nisso, você precisa acreditar nisso. E por um certo tempo você até acredita mesmo, mas de repente você percebe que não é nada disso. Que você está completamente entregue e que vai sofrer, se ferir e chorar até seus olhos incharem.

E quando você se dá conta, já não tem nada mais a fazer a não ser, viver aquilo, torcendo para que dure para sempre, até que a primeira briga os separe. Nossa, que visão mais pessimista não é mesmo? É… talvez seja mesmo, mas acontece que depois de tantas vezes passando por isso, a gente passa a temer mais, porém não a ponto de evitar, de manter-se longe, de afastar-se enquanto há tempo. E sofre tudo de novo. E jura que será a última vez, que nunca mais vai se apaixonar assim, que agora aprendeu a lição. Que isso, que aquilo…

Qual nada! Você continuará igualzinha, sem tirar nem por. A mesma ingenuidade, a mesma crença de que não é ingênua, de que superou e blá, blá, blá…

E o que é que se pode fazer? Como já disse o poeta,”quando chega a paixão, justamente a razão é a primeira a ceder.” O negócio é esse aí mesmo… Cair e levantar. Apaixonar e desapaixonar, sorrir e chorar. É a tênue linha entre amor e ódio. Duas caras da mesma moeda. O negócio é viver, e viver por inteiro, porque o tempo passa e não volta. E é melhor arrepender-se de ter vivido do que não ter tido coragem para se arriscar. Isso sim é que dói.

Você tem um cigarro?

“-Você tem um cigarro?

-Estou tentando parar de fumar.

-Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.

-Você tem uma coisa nas mãos agora.

-Eu?

-Eu.”

(Caio F.)

In

Ele gostava tanto dessas palavras começadas por in – invisível, inviolável, incompreensível -, que querem dizer o contrário do que deveriam. Ele próprio era inteiro o oposto do que deveria ser. A tal ponto que, quando o percebia intratável, para usar uma palavra que ele gostaria, suspeitava-o ao contrário: molhado de carinho. Pensava às vezes em tratá-lo dessa forma, pelo avesso, para que fôssemos mais felizes juntos. Nunca me atrevi. E, agora que se foi, é tarde demais para tentar requintadas harmonias.

(Caio F. Abreu)

Entenda

Entenda bem: Não me veja tentando reatar uma história de amor já bastante espatifada. Acontece que, com ou sem cama, gosto profundamente de você. (…) Não é afastando as pessoas que te amam – como eu, por exemplo – que você vai se sentir melhor. Entenda que eu quero estar com você, do seu lado, sabendo o que acontece. De repente me passa pela cabeça que a minha presença ou a minha insistência pode talvez irritá-lo. Então, desculpa não insistirei mais. (…) Eu queria dizer que eu estava com você, e a menos que você não me suporte mais, continuaria te procurando e querendo saber coisas. Bobagens? pois é, se quiser ria como você costuma rir para se defender. Não estou me defendendo de nada. Estou perguntando a você se permite que eu tenha carinho por você, seu idiota. Mas estou aqui, continuo aqui não sei até quando, e quando e se você quiser, precisar dê um toque. Te quero imensamente bem, fico pensando se dizendo assim, quem sabe, de repente você até acredita. Acredite.

(Caio Fernando Abreu)

Besteiras

”..Dá vontade de bater em todo mundo, de sair na rua gritando, de chorar minhas dores em voz alta pra fazer eco e pra ver se no vexame eu enxergo o quanto estou ridícula de não acreditar que o seu amor é genuíno e que o passado que eu tanto teimo em trazer à tona já nem passa perto de perturbar você.
Eu fiz tanta besteira na minha vida, e o meu medo de te desapontar é tão grande que eu preciso procurar besteiras na sua vida, pra me desapontar com você e estar mais preparada caso você decida seguir por aí, sem mim. ”

(Rhani Ghazzaoui)

Fato

“Você é a melhor coisa que já foi minha.”

Se eu fosse um dia o teu olhar

Não costumo postar vídeos aqui, afinal para isso tenho o blog Caixinha de música e outros versos, mas acontece que essa música é tão linda que eu não resisti. Ela me toca de uma tal maneira que não consigo descrever em palavras. Fazia muito tempo que eu não a ouvia, e ontem, lendo blogs por aí, me deparei com uma frase do Pedro Abrunhosa e fui procurar por ele no You Tube. Ele é incrível, fico arrepiada cada vez que ouço essa música. Fica a dica pra quem não conhece. Além dessa, vale a pena ouvir Quem me leva aos meus fantasmasFazer o que ainda não foi feito e muitas outras… Espero que gostem.

Para uma avenca…


“Deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver nascer uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado… “

Alma prolixa

“Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. 
Sou irritável e firo facilmente. 
Também sou muito calmo e perdôo logo. 
Não esqueço nunca. 
Mas há poucas coisas de que eu me lembre…”